TRAJECTÓRIA OBLITERADA

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Descrição

Poeta, ensaísta e crítico literário, João Maimona nasceu a 8 de outubro de 1955, em Kibokolona, Maquela do Zombo, na província do Uige, Angola. Depois de algum contacto académico com a área de Humanidades Científicas, na RDC - Kinshasa, regressa a Angola e, no Huambo, licenciou-se em Medicina Veterinária. Mais tarde, diplomou-se na área de Virologia Médica e Epidemologia Animal, pelo Instituto Pasteur de Paris e pela École Nationale Véterinaire d'Alfort, em França.


Quando radicado no Huambo, ajudou a fundar a Brigada Jovem de Literatura, em 1981, que foi responsável pela edição de três números da publicação Aspiração. Intitulado por alguns como a fase da Renovação, este movimento da Brigada procurava reunir os jovens em torno da atividade literária, uma vez que a Universidade não conseguia responder, nesta época, a estas solicitações.


Fazendo a sua estreia literária com cerca de 30 anos, o autor é detentor de uma obra que, como a de muitos outros poetas seus contemporâneos, é fruto de uma sociedade civil e militar ainda profundamente marcada pela guerra, mergulhada nos valores da emulação decorrente da proximidade da independência.


Integrando a plêiade de novos escritores, João Maimona reflete já uma manifesta performance no que concerne ao uso e "manejo" dos signos e da palavra, com uma linguagem cujas repetições e retornos permanentes se enformam como uma teia que nos conduz, com efeito de "boomerang", sempre ao ponto de partida. Retomando o simbolismo a que imprime um grande sentido poético, o autor envolve-nos através de um clima de melancolia predominantemente contemplativa e reflexiva.


Na verdade, caracterizada por um discurso perpassado por uma postura de reflexão sobre a decadência, a degradação e o desencanto, a sua poesia, assente em processos repetitivos, tem como centro nuclear semântico a morte. Pertencendo a uma geração a que alguns estudiosos definiram como "geração das incertezas", a sua temática reflete uma angustiante desilusão quanto ao futuro do seu país, marcado pela fome, pela miséria, pela repressão e pela guerra que se alastra, dia a dia, contrariando os sonhos revolucionários dos anos 60 e 70. Contudo, a par deste desencanto e desta dor, alguns elementos do cosmos - ar, vento, aves, insetos, etc, rasgam a sua poesia, criando uma unidade entre o espiritual e o terreno que enforma uma "harmonia vital" que subjaz à visão africana da existência do mundo. Para Maimona, a ausência de liberdade deve-se à corrupção que prolifera e asfixia o país. Assim, os seus textos colocam-nos perante um sujeito poético que, sentindo-se amordaçado, olha o Mar como um espaço de catarse cicatrizante, cuja contemplação e meditação permite perceber as insatisfações humanas, quer de ordem individual, quer de ordem social: "Descobri os silêncios do teu olhar/entre as noites e as árvores do sonho,/como outrora na pele das águas/descobri a asfixia esguia de teu caminho.".
Escritor prestigiado, João Maimona publicou os seguintes títulos: Trajetória Obliterada, (poesia, 1985); Les Roses Perdues de Cunene, (poesia, 1985); Traço de União (poesia, 1987, 1990); Diálogo com a Peripécia, (teatro, 1987); As Abelhas do Dia, (poesia, 1988, 1990); Quando se ouvir os sinos das sementes (poesia, 1993); Idade das Palavras (poesia, 1997).


Ficha Técnica:

Autor: JOÃO MAIMONA

Título: TRAJECTÓRIA OBLITERADA

FORMATO: 16x23

N.º PÁGINAS: 71

Editor: União dos escritores Angolanos

Luanda 2013